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10 janeiro, 2017

Os dois sonetos de amor da hora triste

I

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
do que tu - não deixes fechar-me os olhos
meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
e ver-te-ás de corpo inteiro

como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
fecha-me os olhos com um beijo.
                                                        Eu, Marco Pólo,

farei a nebulosa travessia
e o rastro da minha barca 
segui-lo-ás em pensamento. Abarca

nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.

II

Não um adeus distante
ou um adeus de quem não torna cá,
nem espera tornar. Um adeus de até já,
como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
de novo para ti, no mesmo barco
sem remos e sem velas, pelo charco
azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.


Álvaro Feijó
 in Corsário (1940)

 

Durante a cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos ouviu-se um registo da voz de Maria Barroso a declamar dois poemas de Álvaro Feijó.

http://www.rtp.pt/noticias/pais/os-dois-sonetos-de-amor-da-hora-triste_v975047



08 janeiro, 2017

«Para ti, Meu Amor»


«Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
… uma vez mais
Apesar da distância
E do silêncio
… … …
Opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural
… … …»

Poema de Mário Soares, dedicado à mulher, Maria Barroso, escrito quando se encontrava detido no Aljube.



In: MENDES, Carlos, 1947 – Não me peças mais canções [Registo sonoro]. [s.l.]: Strauss, 1994. 1 disco (cd) (41 min., 10 seg.) : stereo. Faixa 7 : Para ti meu amor.

27 novembro, 2016

Slow Dance







Have you ever watched kids
On a merry-go-round?
Or listened to the rain
Slapping on the ground?
Ever followed a butterfly's erratic flight?
Or gazed at the suninto the fading night?

You better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.

Do you run through each day
On the fly?
When you ask How are you?
Do you hear the reply?

When the day is done
Do you lie in your bed
With the next hundred chores 
Running through your head?

You'd better slow down
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.

Ever told your child, 
We'll do it tomorrow?
And in your haste,
Not see his sorrow?

Ever lost touch,
Let a good friendship die 
Cause you never had time 
To call and say,'Hi'

You'd better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.

When you run so fast to get somewhere
You miss half the fun of getting there.
When you worry and hurry through your day,
It is like an unopened gift.
Thrown away.

Life is not a race.

Do take it slower
Hear the music
Before the song is over.


David L. Weatherford

Fotografia: © Jonatasphotography
Reproduzida com autorização do autor

01 junho, 2016

Dia Mundial da Criança


"Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças"


Fernando Pessoa

Fotografia: © Jonatasphotography
Reproduzida com autorização do autor

13 maio, 2016

Leitura O Principezinho - Espaço Europa


O Espaço Público Europeu exibe a partir de dia 2 de maio uma exposição multilingue da obra «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry. A exposição estará patente até ao dia 15 de maio. A mostra inclui versões do conto nas 24 línguas oficiais da UE e a sua exibição está prevista também para as restantes capitais da UE.

01 maio, 2016

Poema à Mãe - Eugénio de Andrade


Fotografia: © Jonatasphotography

Reproduzida com autorização do autor


No mais fundo de ti,
eu  sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda ouço a tua voz:    
Era uma vez uma princesa    
No meio de um laranjal...

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

do livro,
"Os Amantes sem Dinheiro(1950)