O Espaço Público Europeu exibe a partir de dia 2 de maio uma exposição multilingue da obra «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry. A exposição estará patente até ao dia 15 de maio. A mostra inclui versões do conto nas 24 línguas oficiais da UE e a sua exibição está prevista também para as restantes capitais da UE.
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13 maio, 2016
Leitura O Principezinho - Espaço Europa
O Espaço Público Europeu exibe a partir de dia 2 de maio uma exposição multilingue da obra «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry. A exposição estará patente até ao dia 15 de maio. A mostra inclui versões do conto nas 24 línguas oficiais da UE e a sua exibição está prevista também para as restantes capitais da UE.
01 maio, 2016
Poema à Mãe - Eugénio de Andrade
Fotografia: © Jonatasphotography
Reproduzida com autorização do autor
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
são duras duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda ouço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio de um laranjal...
Era uma vez uma princesa
No meio de um laranjal...
Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
do livro,
"Os Amantes sem Dinheiro" (1950)
28 abril, 2016
O Sorriso - Eugénio de Andrade
Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade
in O outro nome da terra
in O outro nome da terra
27 abril, 2016
Vasco da Graça Moura
Fotografia: © Jonatasphotography
Reproduzida com autorização do autor
É por isso que há
poemas com pessoas
na intimidade que nos
abandonam ou supomos nelas
poemas com pessoas
na intimidade que nos
abandonam ou supomos nelas
gente que caminha devagar dentro
do que fomos e ocupa
alguns lugares mais abrigados
do que fomos e ocupa
alguns lugares mais abrigados
um arrepio de prazer
é um ruído
das nuvens interiores
vários arbustos prendem os seus fragmentos
das nuvens interiores
vários arbustos prendem os seus fragmentos
"des-caminhos "
que hoje e sempre
vamos partilhando
que hoje e sempre
vamos partilhando
"des-caminhos"
nesta selva, tantas vezes
bosque, muitas outras
jardim ...tão poucas assim
nesta selva, tantas vezes
bosque, muitas outras
jardim ...tão poucas assim
Vasco da Graça Moura
26 abril, 2016
Mário de Sá-Carneiro
Fotografia: © Jonatasphotography
Reproduzida com autorização do autor
Quase
Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo … e tudo errou…
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou…
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou…
Momentos de alma que,desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Mário de Sá-Carneiro
25 abril, 2016
"Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes
•Em "Esteiros", Soeiro Pereira Gomes descreve uma época onde mais de metade da população é analfabeta, verifica-se um falso progresso. Vive-se um regime de partido único onde a polícia política responde com a prisão a quem ouse contestar. Há uma forte relação entre este regime e os meninos dos esteiros. Nesta época a arte está fortemente comprometida com a politica e Soeiro Pereira Gomes ocupa o papel central nessa movimentação.
Assista ao documentário em:
http://ensina.rtp.pt/artigo/esteiros-de-soeiro-pereira-gomes/
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